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O que System Of A Down, o ex-presidente dos EUA, George W. Bush e o filme "They Live" têm em comum?

(Imagens do videoclipe oficial "B.Y.O.B.") Com uma letra que já começa num sonoro "Why do they only send the poor? / Porque eles apenas enviam os pobres? ", B.Y.O.B. (Bring Your Own Bombs/ Traga suas próprias bombas), da banda System Of A Down, nos dá aquela chacoalhada inicial. A música, lançada em 2005, é uma crítica ao governo dos EUA e seu costume centenário de enviar os mais desfavorecidos para lutar em suas guerras, descrevendo esse governo (na época sob as rédeas do presidente George W. Bush e com tropas no Iraque) como bárbaro e egoísta. (George W. Bush durante um pronunciamento em 2003) O fato é que todo presidente dos EUA quando eleito também torna-se comandante-em-chefe das Forças Armadas, portanto possui o poder de declarar guerra no momento que bem entender. Mas é fato também que ele jamais vai sentir os efeitos colaterais e pagar por essa conta. B.Y.O.B. é uma sigla relacionada a "Bring Your Own Beer" ou "Bottle", que traduzida sign...
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Ariana Grande, catolicismo e misoginia

(Imagem do videoclipe oficial "God Is A Woman") É impressionante como colocar "ela" no lugar de "ele" incomoda tanto! Principalmente quando se trata do "ele" do catolicismo e é bem sabido o curso da Igreja Católica nesses anos todos de sua existência (*tosse* machista *tosse*). Ariana Grande, em seu àlbum "Sweetener" de 2018, foi amplamente aclamada e também julgada pela música "God Is A Woman", onde fica muito claro sua intenção de cutucar a misoginia, e colocar em ênfase o empoderamento, a libertação sexual femininos e espiritualidade. O videoclipe da música foi dirigido por Dave Meyers e lançado no mesmo dia da canção. A produção apresenta um conceito predominantemente feminino, desde referências a uma pintura de Georgia O’Keeffe, passando por Michelangelo e sua obra "A Criação de Adão" (a qual a versão de Ariana possui gêneros invertidos), a icônica imagem da loba que alimentou Rômulo e Remo (mitologia romana),  ...

"Anthem For The Year 2000" e uma geração cansada de promessas

Escrita em 1998, lançada em 1999 e com o nome de "Hino Para O ano 2000"/"Anthem For The Year 2000" a música da banda Silverchair pode ser interpretada literalmente por seus versos, mas aqui vamos nos aprofundar um pouco mais em seu conteúdo e no que se passava no mundo de Daniel Johns ao compô-la. (Banda Silverchair, em 1999) Silverchair é uma banda australiana, então começamos por investigar o que acontecia por lá no ano e 1998 e existe um fato que chama mais atenção do que outros. Foi aberto, naquele ano, um referendo que oferecia a população uma alternativa a monarquia. Sim! A Austrália, ou oficialmente "Commonwealth of Australia", faz parte daqueles países cuja forma de governo é uma monarquia constitucional parlamentarista e cujo chefe de estado é ninguém menos do que dona Rainha Elizabeth II. Espera! Existem outros países assim também, com a Elizabeth II como chefe de estado??? Confesso que fiquei chocada quando descobri e aconselho: pesquise "C...

Killing In The Name - Rage Against The Machine

Killing In the Name, da banda Rage Against The Machine, foi composta 6 meses após o caso Rodney King (um taxista negro que foi acusado de conduzir embriagado e espancado pelos policiais que o autuaram) ser noticiado nos EUA em março de 1991. A música, mesmo com poucos versos, é carregada de crítica social e política, denuncia a brutalidade policial, o abuso de poder e a violência racista e aponta a normalização da violência nos EUA.  Seus últimos versos são a repetição da frase "Fuck you! I won't do what you tell me./ F***-se! Não farei o que me dizes." a convidar o ouvinte ao afrontamento e também a desobediência civil. Recentemente este verso tornou-se o grito principal de protestantes em Portland, Oregon, que foram as ruas após a Administração Trump enviar agentes federais para várias cidades norte-americanas.  Movimento este vinculado ao caso de George Floyd (homem negro de 40 anos brutalmente imobilizado por policiais e mesmo repetindo 11 vezes que não podia respirar...

Que Parva Que Sou - Deolinda

"Que Parva Que Sou" é uma música da banda lisboeta Deolinda. Foi apresentada em 2011 nos Coliseus de Porto e Lisboa e obteve a simpatia do público justamente por tratar-se de um problema comum a muitas gerações pelo mundo. A letra fala sobre uma geração de 30 anos que, por depender de baixíssimas remunerações e poucas oportunidades, mesmo formados, ainda moram na casa dos pais e adiam suas vidas e sua independência. 2011 foi também o ano em que Portugal pediu intervenção do FMI (Fundo Monetário Internacional) pela 3ª vez. O país, que já sofria as consequências da crise global de 2008, acabava por debater-se ainda mais com dívidas públicas e privadas e também com o desemprego.  Algumas das reformas propostas pelo FMI pioraram a situação desta geração com aumento de impostos, redução nos salários, privatizações nos setores de transporte, energia e comunicação e redução de cargos públicos. "Que parva que eu sou! E fico a pensar, que mundo tão parvo que para ser escravo é pr...

Maria Da Vila Matilde - Elza Soares

A música Maria da Vila Matilde retrata a violência doméstica sofrida por muitas mulheres brasileiras e ressalta a importância da denúncia dessas agressões.  Escrita por Douglas Germano, a letra é uma homenagem dele à sua mãe. Mas seu conteúdo poderia muito bem ter sido escrito em homenagem a própria Elza e milhares de mulheres, que sobreviveram a relacionamentos agressivos e tóxicos. A letra retrata uma mulher que não está mais disposta a se submeter à violência sofrida pelo companheiro e além de denuncia-lo ela também o humilha e o coloca em posição de fragilidade, restaurando sua própria dignidade.  Com uma referência direta ao "Ligue 180" esta música propaga um dos principais canais de denúncia a agressão: a Central de Atendimento à Mulher, criado no país a apenas 18 anos, e já recebe uma ligação a cada 3 minutos (segundo o próprio Ministério dos Direitos Humanos). Já ouviu essa música com esses olhos? Dica do Bezolho: Se você conhece alguma mulher que sofre abuso do parce...

Apesar De Você - Chico Buarque

"Apesar de Você" é uma música composta por Chico Buarque. Escrita em 1970, em plena Ditadura Militar, mais especificamente no governo de Emílio Garrastazu Médici.  Os "Anos de Chumbo", como acabou ficando conhecido esse período, foram marcados pela censura, tortura e assassinato, sem qualquer tolerância a manifestações de opiniões contrárias ao sistema e suspendendo os direitos humanos. A música é uma crítica severa ao governo, que obrigava a população a obedecer e abaixar a cabeça sem qualquer direito a livre expressão, mas que mostrava que aqueles dias já estavam contados e que apesar de tudo, amanhã seria outro dia. Contudo, Buarque disse a censura que se tratava de uma "mulher mandona". Numa época tão difícil para se compor músicas de protesto, Buarque não esperava que ela passasse pela censura e vendesse 100 mil cópias. Mas após a insinuação de um jornal de que a música era uma homenagem á Médici, a gravadora foi invadida e todas as cópias destruídas....