Pular para o conteúdo principal

Zombie - The Cramberries



"Zombie" foi composta por Dolores O'Riordan, vocalista da banda The Cramberries, em 1994. A música do albúm "No Need to Argue" chegou a ganhar o prêmio de melhor composição do EMA, o MTV Europe Music Award.

A música, como a própria O'Riordan chegou a dizer numa entrevista, foi diferente de tudo que eles já haviam composto e também a mais agressiva dessas composições. Foi inspirada na morte de duas crianças na Inglaterra, Tim Parry, de 12 anos, e Johnathan Ball, de 3.


Em 20 de março de 1993, após a explosão de duas bombas colocadas pelo grupo armado IRA em lixeiras em uma área comercial da cidade  de Warrington, Jonathan morreu e outras 54 pessoas ficaram feridas. Tim morreu no hospital 5 dias depois do atentado.

O IRA (Irish Republican Army) foi fundado em 1919 por um grupo de homens católicos para se opor à anexação da Irlanda do Norte ao Reino Unido, na tentativa de evitar que o imperialismo britânico ampliasse o protestantismo e esmagasse o movimento católico da região.

Infelizmente o grupo IRA recorreu a métodos terroristas como ataques a bomba em locais públicos e emboscadas com armas de fogo para se manifestarem vitimando não só políticos que defendiam a união Irlanda do Norte e Reino Unido, mas também vários civis.

Dolores O'Riordan morreu em Londres, em 2018, aos 46 anos. Só após notícias de sua morte que citavam a sua maior composição, Colin Parry, pai de Tim Parry, tomou conhecimento de que a música era uma homenagem a seu filho.

Já ouviu essa música com esses olhos?




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O que System Of A Down, o ex-presidente dos EUA, George W. Bush e o filme "They Live" têm em comum?

(Imagens do videoclipe oficial "B.Y.O.B.") Com uma letra que já começa num sonoro "Why do they only send the poor? / Porque eles apenas enviam os pobres? ", B.Y.O.B. (Bring Your Own Bombs/ Traga suas próprias bombas), da banda System Of A Down, nos dá aquela chacoalhada inicial. A música, lançada em 2005, é uma crítica ao governo dos EUA e seu costume centenário de enviar os mais desfavorecidos para lutar em suas guerras, descrevendo esse governo (na época sob as rédeas do presidente George W. Bush e com tropas no Iraque) como bárbaro e egoísta. (George W. Bush durante um pronunciamento em 2003) O fato é que todo presidente dos EUA quando eleito também torna-se comandante-em-chefe das Forças Armadas, portanto possui o poder de declarar guerra no momento que bem entender. Mas é fato também que ele jamais vai sentir os efeitos colaterais e pagar por essa conta. B.Y.O.B. é uma sigla relacionada a "Bring Your Own Beer" ou "Bottle", que traduzida sign...

Maria Da Vila Matilde - Elza Soares

A música Maria da Vila Matilde retrata a violência doméstica sofrida por muitas mulheres brasileiras e ressalta a importância da denúncia dessas agressões.  Escrita por Douglas Germano, a letra é uma homenagem dele à sua mãe. Mas seu conteúdo poderia muito bem ter sido escrito em homenagem a própria Elza e milhares de mulheres, que sobreviveram a relacionamentos agressivos e tóxicos. A letra retrata uma mulher que não está mais disposta a se submeter à violência sofrida pelo companheiro e além de denuncia-lo ela também o humilha e o coloca em posição de fragilidade, restaurando sua própria dignidade.  Com uma referência direta ao "Ligue 180" esta música propaga um dos principais canais de denúncia a agressão: a Central de Atendimento à Mulher, criado no país a apenas 18 anos, e já recebe uma ligação a cada 3 minutos (segundo o próprio Ministério dos Direitos Humanos). Já ouviu essa música com esses olhos? Dica do Bezolho: Se você conhece alguma mulher que sofre abuso do parce...

Killing In The Name - Rage Against The Machine

Killing In the Name, da banda Rage Against The Machine, foi composta 6 meses após o caso Rodney King (um taxista negro que foi acusado de conduzir embriagado e espancado pelos policiais que o autuaram) ser noticiado nos EUA em março de 1991. A música, mesmo com poucos versos, é carregada de crítica social e política, denuncia a brutalidade policial, o abuso de poder e a violência racista e aponta a normalização da violência nos EUA.  Seus últimos versos são a repetição da frase "Fuck you! I won't do what you tell me./ F***-se! Não farei o que me dizes." a convidar o ouvinte ao afrontamento e também a desobediência civil. Recentemente este verso tornou-se o grito principal de protestantes em Portland, Oregon, que foram as ruas após a Administração Trump enviar agentes federais para várias cidades norte-americanas.  Movimento este vinculado ao caso de George Floyd (homem negro de 40 anos brutalmente imobilizado por policiais e mesmo repetindo 11 vezes que não podia respirar...