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"Anthem For The Year 2000" e uma geração cansada de promessas

Escrita em 1998, lançada em 1999 e com o nome de "Hino Para O ano 2000"/"Anthem For The Year 2000" a música da banda Silverchair pode ser interpretada literalmente por seus versos, mas aqui vamos nos aprofundar um pouco mais em seu conteúdo e no que se passava no mundo de Daniel Johns ao compô-la.



(Banda Silverchair, em 1999)

Silverchair é uma banda australiana, então começamos por investigar o que acontecia por lá no ano e 1998 e existe um fato que chama mais atenção do que outros. Foi aberto, naquele ano, um referendo que oferecia a população uma alternativa a monarquia. Sim! A Austrália, ou oficialmente "Commonwealth of Australia", faz parte daqueles países cuja forma de governo é uma monarquia constitucional parlamentarista e cujo chefe de estado é ninguém menos do que dona Rainha Elizabeth II.

Espera! Existem outros países assim também, com a Elizabeth II como chefe de estado??? Confesso que fiquei chocada quando descobri e aconselho: pesquise "Commonwealth Realms" ou "Reino da Comunidade de Nações" e você vai saber o real tamanho da "COLÔNIA" Britânica espalhada pelo globo.

Voltando ao tal referendo de 98 na Austrália ... As opções para a população eram duas: manter a atual monarquia (a tal rainha estrangeira) ou algo bem mais complexo e bem menos popular: uma comissão de nomeações presidenciais, constituída por 34 personalidades políticas do país, encarregava-se de apresentar uma lista de candidatos ao primeiro-ministro.  Este, depois de garantir o acordo do líder da oposição, selecionaria um candidato e comunicaria a sua escolha às duas câmaras do parlamento para que elas se pronunciassem.

Basicamente, seriam políticos selecionando o presidente e não a população, como numa eleição presidencial por sufrágio universal direto. Parece meio injusto? Isso porque é injusto. Foi uma tática de John Howard, primeiro-ministro na época, de manter a monarquia intocada.


(John Howard, primeiro-ministro da Austrália) 


E mesmo havendo apenas 10% dos eleitores, segundo mostraram as sondagens ao pré-referendo, à favor da monarquia, o "NÃO" ( não a troca do sistema de monarquia vigente pela república)no ano de 99, foi o vencedor.

Quanto ao líder do Silverchair, Daniel Johns, não me é possível dizer se fazia parte dos tais 10% à favor da monarquia ou se fazia parte do outro lado que se viu obrigado a votar em algo que não queria por falta de opções. Apenas posso sugerir que esse pode ter sido UM dos motivos pelos quais a canção foi composta.

"Never knew we were living in a world / With a mind that could be so small / Never knew we were living in a world / And the world is an open court" 

"Nunca percebi que estávamos vivendo em um mundo / Com uma mente que poderia ser tão pequena / Nunca percebi que estávamos vivendo em um mundo / E o mundo é um tribunal aberto"

Em 1998 o mundo passava por muitos momentos. Em agosto, embaixadas dos EUA foram bombardeadas (Dar es Salaam, na Tanzânia e Nairóbi, no Quênia) e Osama bin Laden, terrorista exilado na Arábia Saudita, foi o acusado pelos incidentes (al-Qaeda). Foram 224 pessoas mortas e outras 4500 pessoas feridas.

Em setembro, o Congresso dos EUA aprova a Lei de Libertação do Iraque, que afirma que querem remover Saddam Hussein do poder, por causa do seu envolvimento com produção, armazenamento, manutenção e entrega de armas de destruição em massa, e substituir o governo por uma instituição democrática. 


(Sadam Hussei, no Iraque, em 98)

EUA então tem as tais "desculpas" para fazer o que mais gosta: guerra. E desta vez contra o Iraque, que coincidentemente, era um dos países do mundo com uma enorme reserva de petróleo. E quando digo enorme quero dizer algo aproximado a 142 bilhões de barris, com cada um custando entre 40 e 95 dólares (na época). Isso é mesmo MUITO dinheiro! 

Pronto! Ta aí um cenário que é a receita perfeita pra se escrever uma música considerada um hino da angústia de uma geração contra políticos e suas promessas vazias.

Já ouviu essa música com esses olhos? Achou informativo? Que outras músicas você acha que eu deveria analisar?


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